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domingo, 14 de janeiro de 2018

A Estrada da Noite (Joe Hill)

Primeiras Impressões:

Estou felicíssimo por começar as minhas colaborações para o blog Alfarrábios Literários. A chave com a qual abri as portas deste recinto é de ouro. Afinal, o escritor tema desta resenha nasceu no melhor berço possível para quem tem o lúdico sonho de tornar-se escritor. Refiro-me a Joe Hill, filho de Stephen King. Entretanto, a maioria o conhece de uma forma não tão mesquinha; portanto, da forma correta — como um ótimo escritor de histórias de terror.
Além disso, não podemos esquecer que a obra de hoje foi escolhida por ser de um dos gêneros mensais da maravilhosa lista da Aliança dos Blogueiros do Rio de Janeiro, ou seja, do horror. Tem muito mais autores e gêneros legais vindo por aí! Afinal, este é apenas o primeiro mês do ano...

Sinopse:


O livro tem como protagonista um astro do rock aposentado que acaba de completar cinquenta anos. Judas Coyne (vulgo Jude) seria uma pessoa perfeitamente normal, não fosse a sua coleção de itens macabros. Para se ter uma ideia, tais objetos vão, de um tabuleiro de xadrez usado pelo mago Aleister Crowley em sua infância, até um crânio perfurado de um camponês do século XVI (que ele usava como guarda-canetas). O gatilho do romance gira em torno de quando o roqueiro adquire um paletó de origem duvidosa como novo item para a sua estranha compilação.
Jude tem um passado conturbado. Seu pai o traumatizou de várias formas diferentes e ele o odeia com força. Foi abandonado por sua ex-esposa e se arrepende da forma não só de como a tratava, mas também do que fazia com a ex-namorada Anna, que — ele descobre, estupefato, logo no início — se suicidou não muito após o perturbado término.
O ex-músico foi avisado de que não seria uma boa ideia obter o novo item, uma vez que o paletó só estava sendo vendido por ter atormentado a netinha do morto e ela não ter quisto mais dormir sozinha de jeito nenhum. Por isso, ter a peça não traria bom agouro, mas uma maldição. Ele, porém, apesar de colecionar artefatos cadavéricos e afins, não acredita em algo sobrenatural — amontoa coisas do tipo apenas por um gosto bem pessoal e estranho, não por ser um tipo ocultista meio satânico. Pelo contrário, ficou com mais vontade ainda de comprar o tal paletó pois assim teria a publicidade de ter em sua posse um poltergeist.
O que acontece na prática é que, logo à chegada do paletó (numa caixa no formato de coração), coisas estranhas começam a acontecer, como brincadeiras medonhas pelos recantos de sua sinistra casa. Não demora muito para que os acontecimentos (aparentemente sobrenaturais) se aprofundem e fujam a qualquer controle. Neste momento outro componente começa a ser desenvolvido e muito bem: o namoro do astro com Georgia. Ela é uma linda mulher, bem mais jovem do que ele, e permanece ao lado do velho mesmo que os dois não consigam se livrarem do espírito do velho morto. Aparentemente, ele não quer repetir os erros do passado.
Jude não demora muito a perceber, após chafurdar pela trajetória atravessada pelo antigo dono do paletó, que ele tem surpreendente uma ligação com o seu próprio passado. É aí que a história fica ainda mais alucinante e os mistérios vão se revelando.

A edição:


A edição brasileira ficou por conta da Editora Arqueiro. Merece crítica negativa no sentido de que a fonte é muito pequena, fato que incomoda a qualquer pessoa que, como eu, não tem as vistas afiadas. Apesar disso o exemplar, ainda que simples, esteticamente é bem legal, o que é um ponto positivo. Possui uma linda numeração dos capítulos entreposta em corações negros, simbolizando a caixa em formato de coração na qual chegou o paletó.

O que ficou do que passou:


O livro, em minha concepção exageradamente leiga, não é nem prova de nenhum milagre roteirístico nem uma obra-prima literária, contudo é um belo (adjetivo inadequado, eu sei) livro de terror. Joe Hill é um escritor extremamente criativo no uso de detalhes mirabolantes. Tem uma característica muito interessante e bem elaborada, que é a de criar várias estorinhas que cercam tanto os personagens principais quanto os periféricos, o que faz a leitura valer muito à pena.
Tenho bastante carinho por ele, sobretudo pelo fato de ter sido o segundo romance que li — há não tão longínquos cinco anos, quando eu tinha quinze  —, e que efetivamente provocou pela primeira vez uma verbalização clara em minha mente (e esta primeira vez a gente nunca esquece): “caraca, quero ler pelo resto da minha vida!”. Alguns dizem que precisamos daquele livro para começarmos a amar a leitura. O meu foi este. E o seu?


Essa resenha faz parte do Clube de Temas que no mês de Janeiro está abordando o tema Terror. Leiam também as resenhas dos outros blogs participantes. Links abaixo.
A  Menina que comprava livros:
A Pedra Pagã (Nora Roberts)
Respire Literatura:
O Vilarejo (Raphael Montes)
Faces de uma capa:
Legado de Sangue (Alfer Medeiros)
Garotas Devorando Livros:
Meia Noite (Daniel Henrique)
Alfas Literárias
O Culto (D. A. Potens)
The Best Words BR
Horror na Colina Darrington (M. V. Barcelos)
Tell Me a Book
Caixa de Pássaros (Josh Malerman)
Manuscrito Literário
O Cão de Caça e outras histórias (H. P. Lovecraft)
Sou Aficcionado
Sementes no Gelo (André Avianco)
Every Little Book
Amitytiville (Jay Johnson)
Desconexão Leitura
O Iluminado (Stephen King)
Estante Diagonal
Contos - Volume 1 (H. P. Lovecraft)

2 comentários:

  1. Tenho muita vontade de ler esse livro!
    Pena a fonte ser desconfortável, também tenho um pouco de dificuldade para ler livros com a letra pequena.
    Beijos!

    Every Little Book

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  2. Parece interessante, vai entrar pra listinha! Resenha maneira!

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